No córtex a dor se acende, Um sinal que o corpo entende. Mas a alma em pranto, que mistério? Sofrer é mais que um mero flagelo. E se o sofrer é o nosso despertar? Se a dor é a chave para nos curar? No labirinto da mente, a emoção Se perde em triste e amarga prisão. O espelho reflete um estranho ser, Tão longe do que queria ser. E se a angústia não for fraqueza? Se for a face da nossa nobreza? A biologia em neuro-conexão, Tenta explicar a desilusão. A química que em nós se desfaz, Mas a razão não encontra a paz. E se o sentido da vida for a cura? Se o sofrimento é o que nos apura? A filosofia pergunta, em profundo lamento, Se o sofrer é a lei do tempo. O fardo do existir que em nós se esconde, E a dor, que pergunta, não responde. Então, por que o sofrer, no fim, nos acompanha? E o que faremos com essa estranha, tamanha, e divina montanha?