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ATENÇÃO, CONCEITOS E DEFINIÇÕES

OLÁ, vamos estudar aqui alguns conceitos, definições, teorias e aplicações sobre a atenção.



Meu nome é Everton Andrade, sou professor e psicanalista. 


Conheça mais de meus estudos e trabalhos através dos links abaixo:






ATENÇÃO, CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Esta é uma exploração fascinante, pois a atenção é a porta de entrada para toda a cognição humana. 

Sem ela, não há memória, aprendizado ou consciência plena.






1. Etimologia: A Origem da Palavra

A palavra "atenção" deriva do latim attendere.

  • Ad (para, em direção a) + Tendere (esticar, tender).

  • Significado original: Literalmente, significa "esticar a mente em direção a algo".

  • Conceito central: A etimologia sugere um esforço ativo, uma tensão mental onde o sujeito se projeta em direção ao objeto de interesse. Não é um processo passivo de recepção, mas um ato de "ir buscar".







2. Definições e Conceitos Psicológicos

Na psicologia cognitiva, a atenção não é um bloco único, mas um complexo sistema de gerenciamento de informações.

Principais Definições:

  • O Filtro Cognitivo: O cérebro é bombardeado por milhões de bits de informação sensorial a cada segundo. A atenção atua como um gargalo ou filtro, decidindo o que entra na consciência e o que é descartado (ruído de fundo).

  • Recurso Limitado: A atenção é vista como um "tanque de combustível" finito. Não podemos prestar atenção a tudo ao mesmo tempo. Quando a demanda de uma tarefa excede nossa capacidade de atenção, a performance cai.

  • O Modelo do Holofote (Spotlight): Uma metáfora comum na psicologia. A atenção é como um feixe de luz num palco escuro; o que está iluminado é processado com clareza, enquanto o resto permanece na penumbra.

  • Imagem de spotlight metaphor of attention psychology
    Getty Images

Nota Importante: A atenção psicológica envolve tanto a focalização (escolher um estímulo) quanto a inibição (suprimir ativamente as distrações).







3. A Visão da Neurologia

Para a neurociência, a atenção não reside em um único local do cérebro, mas é o resultado da ativação de redes neurais distribuídas.

Sistemas Envolvidos:

  • SARA (Sistema Ativador Reticular Ascendente): Localizado no tronco cerebral. É responsável pelo estado de alerta (arousal). É o que nos mantém acordados e prontos para receber estímulos.

  • Córtex Pré-Frontal: O "CEO" do cérebro. Responsável pela atenção voluntária, planejamento e controle inibitório (evitar distrações).

  • Lobo Parietal: Responsável pela orientação espacial da atenção (ex: perceber algo se movendo na sua visão periférica e voltar a atenção para lá).

  • Imagem de brain areas involved in attention prefrontal cortex parietal lobe
    Shutterstock

A Química da Atenção: Neurotransmissores são essenciais aqui, principalmente a Dopamina (foca no interesse e recompensa) e a Noradrenalina (foca no estado de alerta e prontidão).








4. Tipos de Atenção

A atenção humana se manifesta de maneiras distintas dependendo da demanda do ambiente:

  • Atenção Seletiva: A capacidade de focar em um estímulo específico enquanto se ignora outros.

    • Exemplo: Conversar com uma pessoa em uma festa barulhenta (Efeito Coquetel).

  • Atenção Sustentada (Vigilância): A capacidade de manter o foco em uma atividade contínua e repetitiva por um longo período.

    • Exemplo: Ler um livro longo ou dirigir em uma estrada reta por horas.

  • Atenção Alternada: A flexibilidade mental de mudar o foco de uma tarefa para outra e voltar.

    • Exemplo: Cozinhar (olhar a receita, mexer a panela, voltar para a receita).

  • Atenção Dividida: A tentativa de processar duas ou mais fontes de informação simultaneamente.

    • Exemplo: Dirigir enquanto conversa. (Nota: Neurologicamente, o cérebro muitas vezes alterna rapidamente entre as tarefas em vez de fazê-las exatamente ao mesmo tempo, o que reduz a eficiência).

  • Atenção Focada: A resposta básica e imediata a um estímulo (como virar a cabeça ao ouvir um estrondo).






5. A Atenção na Filosofia

A filosofia trata a atenção não apenas como um mecanismo, mas como uma condição da experiência e da moralidade.

William James (O Pai da Psicologia Americana/Filósofo): Ele forneceu a definição mais famosa e citada:

"Todos sabem o que é a atenção. É a tomada de posse pela mente, de forma clara e vívida, de um dentre o que parecem vários objetos ou linhas de pensamento simultâneos. Focalização, concentração da consciência são sua essência."

A Visão Fenomenológica: Para filósofos como Edmund Husserl e Merleau-Ponty, a atenção está ligada à Intencionalidade. A consciência é sempre "consciência de algo". A atenção é o ato que estrutura o mundo para nós, transformando o caos sensorial em objetos significativos.

Atenção como Moralidade (Simone Weil): A filósofa Simone Weil argumentava que a atenção é a forma mais rara e pura de generosidade. Para ela, prestar atenção verdadeira a outro ser humano é um ato ético e espiritual de reconhecer a existência do outro.









Estas estratégias visam otimizar a função do córtex pré-frontal e gerir os neurotransmissores (como a dopamina e a noradrenalina) responsáveis pelo foco.





1. Respeitar os Ritmos Ultradianos (Ciclos de 90 Minutos)

O cérebro humano não foi desenhado para manter um foco laser linear o dia todo. Ele opera em ciclos de energia.

  • O Conceito: O nosso estado de alerta oscila em ciclos de aproximadamente 90 minutos (Ritmos Ultradianos).

  • A Técnica: Trabalhe em blocos de foco intenso de 90 minutos, seguidos de uma pausa de 20 minutos.

  • Porquê funciona: Tentar focar além desse limite esgota os níveis de glicose e neurotransmissores no cérebro, levando à "névoa mental". Respeitar o ciclo restaura a capacidade de inibição de distrações.






2. Prática de Mindfulness (Atenção Plena)

Esta é, talvez, a ferramenta mais poderosa apoiada por evidências de ressonância magnética.

  • O Conceito: Treinar o cérebro para observar pensamentos sem reagir a eles imediatamente.

  • A Técnica: Dedique 10 a 15 minutos diários para focar apenas na sua respiração. Quando a mente divagar (o que vai acontecer), traga o foco de volta gentilmente.

  • A Neurociência: Estudos mostram que esta prática aumenta fisicamente a densidade da massa cinzenta no córtex pré-frontal, a área responsável pelo controlo executivo e pela atenção. É como "musculação" para o cérebro.






3. O "Jejum" de Dopamina (Redução de Estímulos)

A atenção sustentada é frequentemente sabotada por um sistema de recompensa viciado em novidades rápidas.

  • O Problema: Verificações constantes do telemóvel ou redes sociais inundam o cérebro com picos curtos de dopamina. Isso torna tarefas longas e lentas (como estudar ou ler) "dolorosas" ou aborrecidas para o cérebro.

  • A Técnica: Reserve a primeira hora da manhã para não usar ecrãs (telas). Elimine as notificações. Tente "abraçar o tédio" em momentos mortos (filas, esperar o elevador) em vez de pegar no telemóvel.

  • Porquê funciona: "Recalibra" a sensibilidade dos seus recetores de dopamina, tornando mais fácil manter o foco em tarefas que exigem esforço prolongado e oferecem recompensas apenas a longo prazo.






4. "Single-tasking" Radical (Mono-tarefa)

O "multitasking" (multitarefa) é um mito neurológico; o que fazemos é alternar tarefas rapidamente ("task-switching"), o que tem um alto custo metabólico.

  • A Técnica: Quando estiver numa tarefa de atenção sustentada, elimine qualquer outra entrada sensorial. Feche abas irrelevantes no navegador.

  • A Neurociência: Cada vez que troca de tarefa, deixa para trás um "resíduo de atenção". O cérebro demora cerca de 23 minutos para voltar ao nível de foco profundo após uma interrupção. Fazer uma coisa de cada vez preserva a energia neural.






5. A Regra da Visualização (Foco Visual)

Existe uma ligação direta entre o foco visual e o foco mental.

  • A Técnica: Antes de iniciar uma tarefa difícil, olhe fixamente para um ponto específico (na parede ou num objeto) durante 30 a 60 segundos. Mantenha o olhar firme e tente não piscar excessivamente.

  • Porquê funciona: Segundo o neurocientista Andrew Huberman, o foco visual estreito ativa circuitos no tronco cerebral que libertam noradrenalina, o químico que diz ao cérebro "prepara-te para a ação/esforço". O foco visual "arrasta" o foco cognitivo.






6. NSDR (Non-Sleep Deep Rest) ou Yoga Nidra

Para manter a atenção alta, é preciso saber descansar profundamente.

  • A Técnica: Protocolos de descanso profundo sem dormir (NSDR) de 10 ou 20 minutos. Envolvem deitar-se e seguir um roteiro de relaxamento corporal.

  • A Neurociência: Estas práticas ajudam a repor os níveis de dopamina e, crucialmente, aceleram a neuroplasticidade (a capacidade do cérebro de aprender e mudar) que ocorreu durante o período de foco anterior.














REFERÊNCIAS

1. Etimologia e Definições Clássicas

  • Origem da palavra: Oxford Latin Dictionary. Verbete: Attendere.

  • A Definição de "Holofote" (Spotlight): Posner, M. I., Snyder, C. R., & Davidson, B. J. (1980). Attention and the detection of signals. Journal of Experimental Psychology.

  • A Definição de Recurso Limitado: Kahneman, D. (1973). Attention and Effort. Prentice-Hall.

2. Os Tipos de Atenção (Classificação Clínica)

A classificação que apresentei (Seletiva, Sustentada, Alternada, Dividida) é o padrão ouro na reabilitação cognitiva e neuropsicologia.

  • Fonte Primária: Sohlberg, M. M., & Mateer, C. A. (1989). Introduction to Cognitive Rehabilitation. Guilford Press. (Este trabalho estabeleceu o modelo clínico de atenção utilizado até hoje).

3. Neurociência e Anatomia

  • Áreas Cerebrais (SARA, Pré-frontal, Parietal): Gazzaniga, M. S., Ivry, R. B., & Mangun, G. R. (2014). Cognitive Neuroscience: The Biology of the Mind. W. W. Norton & Company.

  • Neurotransmissores (Dopamina e Noradrenalina): Kandel, E. R., et al. (2013). Principles of Neural Science. McGraw-Hill.

4. Filosofia da Atenção

  • A Definição de William James: James, W. (1890). The Principles of Psychology. Vol. 1, Capítulo XI: "Attention". (A citação "Everyone knows what attention is..." vem daqui).

  • Fenomenologia: Merleau-Ponty, M. (1945). Phénoménologie de la Perception (Fenomenologia da Percepção).

  • Atenção como Moralidade: Weil, S. (1947). La Pesanteur et la Grâce (A Gravidade e a Graça) e Attente de Dieu (Espera de Deus).

5. Técnicas e Estudos Específicos (Atenção Sustentada)

Ritmos Ultradianos (Ciclos de 90 min)

  • Fonte: Kleitman, N. (1963). Sleep and Wakefulness. University of Chicago Press. (Kleitman descobriu o ciclo BRAC - Basic Rest-Activity Cycle).

Mindfulness e Neuroplasticidade

  • Estudo Chave: Lazar, S. W., et al. (2005). Meditation experience is associated with increased cortical thickness. Neuroreport. (Este estudo de Harvard provou o espessamento do córtex pré-frontal).

"Multitasking" e Resíduo de Atenção

  • Conceito de Resíduo de Atenção: Leroy, S. (2009). Why is it so hard to do my work? The challenge of attention residue when switching between work tasks. Organizational Behavior and Human Decision Processes.

Foco Visual e NSDR

  • Sintetizador: Estas técnicas específicas de ligação entre sistema visual e estado de alerta (noradrenalina), bem como o uso de NSDR (Non-Sleep Deep Rest), são amplamente divulgadas pelo Dr. Andrew Huberman (Stanford University, Departamento de Neurobiologia e Oftalmologia).

  • Base científica: Baseia-se em estudos sobre o sistema visual e o sistema nervoso autônomo, como os trabalhos de Bavelier, D., et al., sobre plasticidade cerebral e visão.

Jejum de Dopamina

  • Origem do termo: Popularizado pelo Dr. Cameron Sepah (Psicólogo Clínico).

  • Base Teórica: Baseia-se em princípios de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para gestão de estímulos e regulação do sistema de recompensa.











Resumo estruturado do Capítulo XI: Atenção, da obra monumental The Principles of Psychology (1890), de William James.

James é frequentemente considerado o "pai da psicologia americana", e a sua análise da atenção permanece surpreendentemente atual, misturando introspecção filosófica com observação psicológica.



1. A Definição Fundamental

James começa por rejeitar a ideia de que a atenção é apenas um processo passivo. Para ele, é um ato de escolha.

  • A Essência: A atenção é a tomada de posse pela mente.

  • A Natureza Seletiva: "Implica afastar-se de algumas coisas para lidar efetivamente com outras."

  • O Oposto: O oposto da atenção é o estado de distração ou confusão mental (dazedness).



2. As Divisões da Atenção

James classifica a atenção de acordo com o objeto e o esforço envolvido:

A. Quanto ao Objeto

  • Atenção Sensorial: O foco está num estímulo físico presente (ouvir um ruído, olhar uma cor).

  • Atenção Intelectual: O foco está numa ideia, memória ou conceito abstrato (resolver um problema matemático mentalmente).

B. Quanto ao Interesse (Causa)

  • Atenção Imediata: Quando o objeto é interessante por si só (ex: um estrondo, uma cor viva, um assunto apaixonante).

  • Atenção Derivada (Aperceptiva): Quando o objeto não é interessante por si só, mas está associado a algo que desejamos. É aqui que reside o esforço do estudo e do trabalho: prestar atenção a algo "chato" para atingir um objetivo "valioso".

C. Quanto ao Esforço (A Vontade)

Esta é a distinção mais famosa de James:

  • Atenção Passiva (Reflexa): Não requer esforço. Somos "sequestrados" pelo estímulo (ex: alguém grita o seu nome).

  • Atenção Ativa (Voluntária): Requer um esforço consciente da vontade. É uma luta contra a dispersão.




3. A Natureza da Atenção Voluntária

James faz uma observação brilhante sobre a Atenção Sustentada:

  • A Ilusão da Continuidade: Ele argumenta que a atenção voluntária pura não consegue manter-se fixa por mais do que alguns segundos de cada vez.

  • O Mecanismo de Pulsos: O que chamamos de "ficar focado por uma hora" é, na verdade, uma sucessão de repetidos esforços para trazer a mente de volta ao objeto. A atenção oscila, a mente foge, e a vontade traz a mente de volta.

  • O Segredo do Génio: James sugere que o génio não é apenas uma inteligência superior, mas uma capacidade superior de sustentar a atenção através destes "retornos" constantes.




4. Efeitos da Atenção

O que acontece fisiologicamente e mentalmente quando atendemos?

  1. Acomodação dos Órgãos Sensoriais: Ajustes físicos (olhos, ouvidos, postura) para receber o estímulo.

  2. Preparação Antecipatória (Pré-percepção): O cérebro prepara uma "imagem" do que espera ver ou ouvir. Só percebemos claramente aquilo para o qual estamos preparados.

  3. Encurtamento do Tempo de Reação: Quem está atento reage mais rápido.




5. Como Melhorar a Atenção (Conselhos de James)

William James oferece conselhos práticos baseados na sua teoria de "Interesse Derivado":

  • Associação de Ideias: Para prestar atenção a um assunto difícil, deve-se tentar conectá-lo a algo que já se domina ou se gosta. O novo deve ser "ancorado" no velho.

  • Ação Física: A atenção não é apenas mental. Se agirmos como se estivéssemos atentos (postura, olhar), a emoção e o foco tendem a seguir a ação.




6. Conclusão Ética

O capítulo termina com uma nota quase moral. Para James, a capacidade de escolher onde colocar a atenção é a raiz do livre-arbítrio e da formação do caráter.

"A faculdade de trazer voluntariamente de volta uma atenção que divaga, repetidamente, é a própria raiz do julgamento, do caráter e da vontade."




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